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Engenharia social: o golpe que chega no seu celular tem mais de 40 anos

A mensagem do “filho com número novo”, a ligação da “central do banco”, o “chefe” pedindo um Pix urgente no WhatsApp. Parecem golpes modernos, criados para o mundo do celular. Mas a técnica por trás deles é bem mais antiga. Ela tem nome, engenharia social, e um dos seus nomes mais conhecidos começou a usá-la ainda criança, no fim dos anos 1970.

Quem foi Kevin Mitnick
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Kevin Mitnick foi um dos hackers mais famosos da história. Nasceu em 1963, em Los Angeles, nos Estados Unidos, e o que chama a atenção na trajetória dele não é a habilidade com computadores. É a habilidade com pessoas.

  • Aos 12 anos, puxou conversa com um motorista de ônibus e descobriu onde comprar o furador de passagens, dizendo que era para um trabalho da escola. Junto com bilhetes de transferência não usados que encontrou no lixo da garagem da empresa, passou a andar de ônibus de graça pela cidade.
  • Em 1979, aos 16 anos, conseguiu acesso a um sistema de computadores ligando para o responsável, fingindo ser um dos desenvolvedores e dizendo que tinha esquecido a senha.
  • Nos anos seguintes, invadiu sistemas de empresas e de telefonia. Ficou cerca de dois anos e meio foragido até ser preso pelo FBI em fevereiro de 1995. Cumpriu cerca de cinco anos de prisão e saiu em janeiro de 2000.
  • Depois de solto, mudou de lado: virou consultor de segurança, escreveu livros sobre o tema e passou a ensinar empresas a se defender justamente da engenharia social. Morreu em 2023, aos 59 anos.

É importante dizer com clareza: Mitnick cometeu crimes e respondeu por eles. Não é um exemplo a ser seguido. O que vale aprender com a história dele é como ele conseguia o que queria.

A lição: a principal arma não era o computador
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Na maior parte das vezes, Mitnick não precisava quebrar nenhuma proteção técnica. Ele simplesmente pedia, do jeito certo, para a pessoa certa, com uma boa história.

É mais fácil convencer alguém a abrir a porta do que arrombar a fechadura. Essa é a ideia central da engenharia social.

O que é engenharia social
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Engenharia social é manipular uma pessoa para que ela entregue informação, acesso ou dinheiro, achando que está fazendo a coisa certa.

O golpista não engana o sistema. Engana você. E, para isso, mexe com reações que todo ser humano tem:

GatilhoComo aparece no golpe
Autoridade“Aqui é da central do banco.” “Sou do suporte.” “É o seu chefe.”
Urgência“Precisa ser agora.” “Você tem 10 minutos para resolver.”
Confiança“Mãe, sou eu, troquei de número.”
Medo“Sua conta será bloqueada.” “Detectamos uma invasão.”

Quase todo golpe combina dois ou mais desses gatilhos. Quando você sente pressa e medo ao mesmo tempo, o raciocínio fica mais lento. É exatamente esse o objetivo.

Ontem e hoje: mudou a roupa, a técnica é a mesma
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Compare o que Mitnick fazia décadas atrás com os golpes que chegam hoje no celular:

  • Antes: ligava fingindo ser um colega que esqueceu a senha. Hoje: a “central do banco” liga pedindo o código que chegou por SMS ou a sua senha.
  • Antes: se passava por funcionário de outra área da empresa. Hoje: o “filho com número novo” e o “falso chefe” no WhatsApp.
  • Antes: aproveitava o que os outros jogavam no lixo. Hoje: usa dados vazados. O golpista pode saber seu nome completo, seu CPF e até em qual banco você tem conta.

E isso não é raro. Segundo pesquisa do Datafolha para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 1 a cada 3 brasileiros (cerca de 56 milhões de pessoas) teve prejuízo com algum golpe virtual entre julho de 2024 e junho de 2025. Em 2023, um diretor da área de prevenção a fraudes da Febraban afirmou que cerca de 70% dos golpes financeiros são de engenharia social, ou seja, dependem de enganar a pessoa, e não de invadir o sistema do banco.

O roteiro de quase todo golpe
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Se você prestar atenção, a maioria dos golpes segue três passos:

  1. Cria uma história. Um problema na sua conta, um parente em apuros, uma entrega retida, uma compra suspeita.
  2. Ganha sua confiança. Usa seu nome, seus dados, a foto de alguém conhecido ou o tom de voz de quem você confia.
  3. Pede algo com pressa. Um código, uma senha, um Pix, a instalação de um aplicativo. Antes que você pare para pensar.

Reconhecer esse roteiro é o primeiro passo para quebrá-lo.

Importante: a Run Security nunca pede dados pessoais, senhas, códigos ou pagamentos, nem entra em contato para “ajudar a recuperar” valores perdidos. Se alguém fizer isso em nosso nome, é golpe.


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Fontes

  • Kevin Mitnick (biografia, prisão, soltura e morte): Wikipedia e CSO Online.
  • Ligação de 1979 fingindo ter esquecido a senha: Purdue University, Cyber TAP.
  • Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, pesquisa sobre golpes virtuais (julho de 2024 a junho de 2025), via CNN Brasil.
  • Febraban, cerca de 70% das fraudes financeiras por engenharia social (2023), via Monitor Mercantil.